Entenda os riscos do uso de drogas na juventude

Atualmente 90% das dependências químicas se iniciam ainda na juventude. Muitas vezes, pais e adultos, de forma geral, acabam ignorando os fatores de risco e os problemas que o adolescente apresenta por acharem que trata-se apenas de uma fase. Se algo parece errado, é preciso tomar medidas para evitar consequências mais graves.

Entenda os riscos do uso de drogas na juventude, como isso se apresenta no Brasil e no mundo, além de saber quais são os efeitos do uso a longo prazo.

Riscos do uso de drogas na juventude

O primeiro contato com as drogas acontece principalmente na juventude. Isso porque esse é um momento em que ocorrem diversas mudanças relacionadas com o psicológico do adolescente, que se torna mais vulnerável e por isso pode ser considerado um grupo de risco.

O consumo de drogas lícitas e ilícitas se dá por diversos fatores, entre eles o sentimento de indestrutibilidade, relações com amigos e família e falta de autoconhecimento. Além desses fatores, é importante compreender de onde vem o interesse em consumir drogas, muitas vezes os jovens têm seus próprios motivos para as usarem ou usam pela primeira vez dentro de casa com o apoio dos pais.

Conheça melhor os principais fatores de risco!

Cultura

Socialização, tédio, rebeldia, comportamento, estímulos externos e internos têm relações diretas com a cultura. A mídia, televisão e a Internet apresentam o consumo de drogas de uma forma romantizada e normal. Muitos adolescentes também já são incentivados a consumir substâncias, principalmente o álcool, em festas de aniversário, algo que é cada vez mais comum.

Geralmente a droga utilizada pela primeira vez na vida de um jovem é o álcool, por conta da facilidade de acesso e da cultura ao redor da bebida. Músicas que estimulam o consumo e relacionam a substância como algo descolado ou para se desinibir, também dão espaço para uma pessoa se comportar de forma agressiva.

Ainda, o tédio e a rebeldia são riscos suficientes para uma pessoa fazer uso de drogas. Aqueles que não encontram algo para se ocupar, que não conseguem ficar sozinhos ou procuram por algo mais interessante em suas vidas, acabam por decidir gastar do tempo com essas substâncias.

Prazer instantâneo

Todos os fatores acima relacionados à cultura levam ao prazer instantâneo que as drogas e o álcool proporcionam. Os seus efeitos iniciais fazem os adolescentes se sentirem bem consigo mesmos, que acabam associando a droga com o sentimento de felicidade. Ou seja, eles sabem que a cada uso poderão se sentir mais felizes ou até com uma falsa ideia de maturidade.

Os amigos também acabam por influenciar o consumo para animar uns aos outros quando se sentem tristes ou porque não estão indo bem na escola. Então, a solução que encontram para amenizar os sentimentos é a ingestão de bebida alcoólica em locais públicos ou na casa uns dos outros.

Falta de confiança

Jovens que são mais tímidos e têm dificuldades de se socializar tendem a usar drogas ou ingerir bebidas para se tornarem mais sociáveis, interessantes e fazer algo que eles não fariam se estivessem sóbrios. Por ser um período marcado por diversas transformações e mudanças internas e externas, a adolescência acaba por gerar um sentimento de baixa autoconfiança.

Pelo fato de ainda não se conhecer totalmente, o adolescente se torna mais vulnerável à situações de risco. Para conseguir aprovação social, ele acaba por se sujeitar ao consumo da maconha, cigarro ou álcool, drogas mais comuns e de fácil acesso.

Uso de drogas no Brasil e no mundo

Falta de políticas efetivas para controlar, alterar e, principalmente, prevenir o uso de drogas em todo o mundo provoca o aumento do uso de drogas na juventude. Isso acaba colocando em risco a integridade social, física e mental de adolescentes. O estímulo externo e social acaba por agravar a situação e encoraja o consumo, que muitas vezes é excessivo.

O uso de drogas é uma das maiores causas de morte de jovens no mundo e pode deixar graves sequelas a longo prazo. A prevenção pode reduzir os números drasticamente, mas primeiro é preciso entender qual é o cenário atual do uso de drogas na juventude. Saiba mais como isso se dá no Brasil e no mundo:

No Brasil

Em uma pesquisa realizada pelo IBGE no segundo semestre de 2016, constatou-se que mais da metade dos jovens (55%, ou 1,44 milhão de alunos) relataram já ter tomado ao menos uma dose de bebida alcoólica.

Outros estudos também relataram um início precoce na experimentação de bebidas alcoólicas. Esse dado é bastante preocupante se considerarmos que o consumo de bebidas alcoólicas só está legalmente autorizado no Brasil para indivíduos maiores de 18 anos. Porém, não é difícil adquiri-las em bares, supermercados e lojas de conveniência, visto que a fiscalização nesses locais é baixa.

A cultura do consumo de álcool no Brasil também é um problema e é vista como aceitável, pois a substância não é vista como uma droga. Programas de controle e taxação de bebidas no país também são fracos. O fácil acesso à outras drogas, como ecstasy, LSD e a maconha, acaba por estimular o uso que está também relacionado ao tráfico de drogas, principalmente em periferias das cidades.

No mundo

No mundo 40% dos jovens concordam que filmes e séries de TV exibem o consumo de drogas como algo totalmente aceitável, segundo estudo (PATS, 2012). Portanto, as mídias podem ser influenciadoras. É importante que pais conversem abertamente com seus filhos sobre o assunto.

Em um relatório realizado pela Organização das Nações Unidas (ONU), verificou-se que o consumo de drogas gera 500 mil mortes por ano. É um número alarmante que demanda maior atenção por parte da saúde pública e não deve ser somente tratado como uma questão criminal, como geralmente é vista.

Muitos países ainda veem o consumo de drogas como algo que está mais sujeito à penas de prisão ou até de morte em alguns países, em vez de uma doença que merece atenção e um tratamento terapêutico e multidisciplinar. A dependência química é um transtorno mental e somente duras penas não resolvem o problema.

Efeitos gerados pelo uso de drogas na juventude

O uso de drogas na juventude pode trazer diversas consequências, principalmente a longo prazo. Alterações na percepção, mau desenvolvimento da memória, redução do senso crítico, maior vulnerabilidade à contrair doenças sexualmente transmissíveis, criminosos e acidentes de risco também têm chances maiores de ocorrer com o uso.

Sabe-se que o cérebro humano só se forma totalmente depois dos 24 anos de idade. Por conta disso, jovens que fazem uso de drogas por bastante tempo podem desenvolver transtornos físicos e mentais crônicos que demandam tratamentos contínuos.

Existem diversas substâncias psicoativas, como o álcool, maconha e LSD que podem alterar ou danificar o desenvolvimento cerebral na adolescência. Elas alteram a função dos neurotransmissores, que permitem a comunicação com os nervos. Em consequência, a percepção da pessoa também é modificada. O hábito do uso acaba por afetar o pensamento, raciocínio e a consciência desenvolvidos, podendo permanecer ao longo da vida de uma pessoa.

Além disso, pesquisa publicada recentemente no periódico científico Psychological Medicine comprovou por meio de análises genéticas o que estudos anteriores já haviam sugerido de forma observacional: o consumo da maconha é particularmente perigoso para pessoas com propensão genética à esquizofrenia, mas, principalmente, que os esquizofrênicos tendem a usar mais a droga.

“A dependência química é uma doença progressiva, crônica e potencialmente fatal, porém tratável”, afirma Erick Marangoni, psicólogo do Hospital Santa Mônica e da Unidade Integrativa Santa Mônica e ex-usuário.

É muito importante se conscientizar sobre os riscos do uso de drogas na juventude e quais são as consequências que isso pode trazer. Fale conosco se precisar de ajuda ou quiser saber mais sobre o assunto!

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